Raízen vende usina por R$ 760 milhões e acelera plano de redução de dívidas

Foto: Reprodução da Internet
A Raízen anunciou a venda da Usina Caarapó, localizada em Caarapó (MS), para a Adecoagro Vale do Ivinhema por R$ 760 milhões. O valor será pago à vista após a conclusão da operação, que ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A negociação faz parte da estratégia da companhia para reduzir seu elevado nível de endividamento e fortalecer a geração de caixa. Atualmente, a empresa passa por um amplo processo de reestruturação financeira, que envolve aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas.
Venda faz parte do plano de desinvestimentos
Além da unidade industrial, a operação contempla a transferência dos canaviais próprios e dos contratos firmados com fornecedores vinculados à usina. Na safra 2025/26, a unidade processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
A venda integra um programa de desinvestimentos que busca concentrar a atuação da Raízen em ativos considerados estratégicos e reduzir sua alavancagem financeira. No terceiro trimestre da safra 2025/26, a relação entre dívida líquida e Ebitda da empresa chegou a 5,3 vezes, enquanto o objetivo da companhia é operar entre 2,0 e 2,5 vezes.
Outras vendas reforçam geração de caixa
Nos últimos meses, a Raízen intensificou a venda de ativos. Entre as principais operações estão:
- Venda das operações de downstream na Argentina por US$ 1,42 bilhão;
- Venda da Usina Leme por R$ 425 milhões;
- Venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, em operação avaliada em R$ 1,54 bilhão.
Somadas, as alienações realizadas até o terceiro trimestre da safra 2025/26 já proporcionaram cerca de R$ 5 bilhões em geração de caixa, desconsiderando a operação na Argentina.
Recuperação financeira continua em andamento
Mesmo com o avanço dos desinvestimentos, a empresa reconhece que a venda de ativos, sozinha, não será suficiente para reequilibrar sua estrutura financeira.
O plano de recuperação extrajudicial prevê a conversão de parte das dívidas em ações e novos instrumentos financeiros. Entre as medidas, a Shell deverá realizar um aporte de R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Investimentos, da família de Rubens Ometto, poderá investir mais R$ 500 milhões.
Segundo a companhia, credores que representam mais de 80% dos créditos já demonstraram apoio ao plano de reestruturação.
O que isso representa para o mercado
A Raízen é uma das maiores empresas do setor sucroenergético e de distribuição de combustíveis do país. O processo de reorganização financeira e a venda de ativos são acompanhados de perto pelo mercado, já que podem influenciar investimentos, operações e a estratégia da companhia nos próximos anos.
A continuidade do plano dependerá da aprovação dos órgãos reguladores, da conclusão das negociações com credores e da capacidade da empresa em reduzir sua alavancagem financeira de forma sustentável.
Fonte: neo feed