Quando subsidiar o fóssil vira política de Estado

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O mercado futuro de açúcar em NY encerrou a sexta-feira, 15 de maio, com o contrato julho/26 cotado a 14,78 centavos de dólar por libra-peso. Uma “explosiva” alta de 9 pontos em relação ao fechamento da semana passada — algo próximo de US$ 2 por tonelada. Traduzindo: um espasmo estatístico com pretensões de tendência.
Os demais vencimentos fecharam entre 7 e 40 pontos de alta, enquanto o etanol continua despencando escada abaixo sem corrimão. O subsídio concedido pelo governo à gasolina segue produzindo exatamente o que qualquer pessoa minimamente alfabetizada em economia imaginava: distorção de mercado, destruição de competitividade e um etanol transformado em peça decorativa (leia mais a seguir).
O destaque da semana, no entanto, foi o dólar. A moeda americana valorizou-se 3,5% frente ao real e chegou a negociar a R$ 5,1000 durante a sexta-feira. O motivo? As pesquisas mostrando queda do candidato Flávio Bolsonaro, que — para surpresa de absolutamente ninguém — aparece ligado ao recebimento de recursos do empresário Daniel Vorcaro (preso pela PF) para financiar o filme do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Diga-me com quem andas e eu te direi quem és.
O Brasil consegue transformar até produção cinematográfica em caso de polícia. Hollywood jamais teria coragem de escrever um roteiro tão grotesco por medo de parecer exagerado.
Durante o evento promovido pela câmara de comércio Brasil- Estados Unidos, realizado em Nova York, o palestrante de uma das maiores consultorias de risco político do mundo afirmou que as chances de reeleição de Lula hoje giram em torno de 55%. E aí entra a tragicomédia nacional: a direita brasileira, incapaz de se reunir em torno de um nome minimamente preparado, equilibrado e com histórico administrativo consistente, segue preferindo o parque temático da gritaria, da lacração e da indigência intelectual.
A sensação cada vez mais clara é que o Brasil entrou naquele tipo de jogo em que o eleitor escolhe entre dor de cabeça forte ou enxaqueca crônica. De um lado, um governo que insiste em vender improviso como política econômica e trata responsabilidade fiscal como detalhe opcional. Do outro, uma oposição que continua refém de personagens barulhentos, emocionalmente instáveis e cercados de gente que confunde radicalismo com inteligência estratégica.
Mais assustador que a polarização, é a pobreza intelectual das alternativas. O país parece condenado a assistir dois grupos desqualificados disputando quem destrói menos — e comemorando isso como se fosse grande vitória democrática.
Enquanto isso, o investidor olha para o Brasil como quem observa um carro sem freio descendo uma ladeira: talvez não bata hoje, talvez não bata amanhã, mas ninguém em sã consciência pediria para sentar-se no banco da frente.