Petróleo volta à casa dos US$ 80 e reacende pressão inflacionária

Foto: Plataforma para exploração offshore de óleo e gás (Foto Wiki Commons)
A retomada da guerra no Oriente Médio devolveu o barril de petróleo à casa dos US$ 80, reacendendo a pressão inflacionária em julho depois de um breve alívio no mês anterior. Em junho, o Brent chegou a ser negociado abaixo de US$ 70, impulsionado pelas negociações de paz e pelo cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã. Com a volta dos ataques, porém, frustraram-se as expectativas de retomada das exportações pelo Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de um quinto da demanda global antes do conflito. Apesar da escalada militar, o tráfego de navios segue ativo, ainda que reduzido, o que tem evitado que o barril retorne aos três dígitos, como ocorreu nos primeiros meses da guerra. Na quinta-feira (16/7), o Brent para setembro fechou a US$ 84,23, queda de 0,85%, próximo da máxima do mês, registrada na terça (14), de US$ 84,73.
A semana foi marcada por ofensivas dos Estados Unidos contra alvos iranianos e por ataques do Irã a navios comerciais. Houve ainda a ameaça, posteriormente descartada, do presidente Donald Trump de assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa para garantir a segurança da navegação. Em paralelo, o Irã pediu ao grupo Houthi, do Iêmen, que se prepare para fechar a rota do Mar Vermelho caso sua infraestrutura energética seja atacada. A passagem pelo Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, tem sido usada principalmente pela Arábia Saudita para desviar parte das exportações que não conseguem passar por Ormuz. Mesmo com as turbulências, o tráfego no estreito continua, embora bem abaixo do registrado durante o cessar-fogo. Dados da S&P Global Commodities at Sea mostram que, na segunda-feira (13/7), ao menos 17 navios cruzaram a rota, quase todos ligados ao Irã. Diante da instabilidade prolongada, países do Golfo já buscam alternativas: a operadora DP World, de Dubai, planeja construir um novo porto na costa leste dos Emirados Árabes Unidos para reduzir a dependência de Ormuz.
Nos Estados Unidos, o governo formalizou na quarta-feira (15/7) a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio. A medida entra em vigor em 22 de julho e atinge, entre outros setores, o de etanol, uma das seis áreas usadas pela gestão Trump para justificar o tributo. O petróleo ficou isento. A nova tarifa força o setor de etanol a recalcular rotas de exportação e rever estratégias comerciais.
No Brasil, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, escreveu sobre o gas release, afirmando que o mecanismo não cria nova oferta de gás natural, apenas desloca volumes entre agentes, sem resolver os gargalos estruturais do mercado. Em outra frente, o Instituto Internacional Arayara criticou o PL 5.017/2019, aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, afirmando que a contratação obrigatória de termelétricas cria “consumidores cativos de energia fóssil”.
O ONS realizou o 3º Mecanismo Competitivo de Resposta da Demanda, contratando 344 MW em redução de consumo para horários de pico. O setor de metalurgia respondeu pela maior parte do volume negociado, com deságio médio de 49,23%. A iniciativa remunera consumidores dispostos a reduzir ou deslocar o uso de energia em momentos críticos do sistema.
Fonte: EIXOS