Petrobras já ganhou mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado desde o início da guerra

Foto: Reprodução da Internet
Em sete semanas de guerra, a Petrobras (PETR3; PETR4) ganhou R$ 108,9 bilhões em valor de mercado, saindo de R$ 532,2 bilhões para R$ 641,1 bilhões nesta segunda-feira (20). O papel vem acompanhando o sobe e desce do petróleo no mercado internacional e, com a disparada da commodity lá fora, ajudou a impulsionar o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, nas últimas semanas.
Até a última sexta-feira (17), o acumulado de ganhos era de R$ 97,7 bilhões, segundo dados do Valor Pro.
Valor de mercado da Petrobras salta após início do conflito entre EUA e Irã
Petroleira acompanha a alta da commodity no mercado internacional
Para se ter ideia, do início do ano até agora, os papéis preferenciais da empresa (PETR4) já dispararam 52,56%, enquanto os ordinários (PETR3) saltaram 58,86%, enquanto as pares do setor tiveram altas mais tímidas:
- Prio (PRIO3) subiu 48,79%;
- PetroRecôncavo (RECV3) avançou 27,59%;
- Brava (BRAV3) ganhou 21,14%.
O que explica a disparada?
No início do conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo chegaram a disparar cerca de 50% por conta do fechamento do Estreito de Ormuz, onde passa cerca de 20% do comércio global de energia, explica Lucas Lima, analista do setor na VG Research.
Com o salto no preço da commodity, a Petrobras se beneficia porque a maior parte do resultado operacional da empresa vem de Exploração & Produção (E&P), representando quase 80% do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (ebitda, na sigla em inglês) consolidado, de acordo com o analista.
Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, acrescenta que a empresa tem forte foco em hidrocarbonetos (componente do petróleo). "Nós temos uma grande exploração, principalmente na margem do pré-sal, que é o nosso grande ativo. Com o preço da commodity subindo no mercado internacional, é natural que ela se valorize, com os investidores buscando um trade".
Soma-se a isso o fato de que, no início, a previsão era que a guerra seria curta, como foi a operação na Venezuela. Com o passar das semanas e o petróleo passando para casa de US$ 110, os investidores começaram a enxergar a possibilidade de esse preço se manter por mais tempo, causando um boom nas ações de Petrobras.
"É um movimento totalmente ligado ao preço da commodity, então não há uma desconexão do preço com o ativo", diz Sant'Anna.
Segundo Lima, como a Petrobras possui custos "bastante competitivos", também lucra forte com a alta da commodity. Além disso, tende a ser mais beneficiada, pois o volume de hedge (proteção) é baixo comparado às pares do setor como PetroRecôncavo e Brava que foram menos beneficiadas devido a estruturas de hedge que limitaram o ganho na alta do petróleo.
Grande parte dessa valorização se deve ao investidor estrangeiro que, quando entra na bolsa brasileira, entra em papéis com liquidez maior. Ou seja: que podem entrar e sair, sem gerar um grande impacto - seja de alta, seja de queda.
"Podemos ver isso através dos próprios dados de fluxo divulgados diariamente pela B3. O fluxo estrangeiro está positivo em R$ 68 bilhões no acumulado de 2026, enquanto investidores institucionais e pessoas físicas no Brasil apresentam fluxo negativo no ano", detalha Lima.
Se o petróleo se estabilizar acima de US$ 80 por barril, Lima acredita que isso pode se traduzir em melhores dividendos para os acionistas da estatal em 2026. "Hoje, projetamos um dividend yield (DY) de 7,5%, mas se o preço médio do petróleo em 2026 ficar acima de US$ 80-85 dólares, há espaço para chegar próximo de 10%". O DY é uma métrica que mostra quanto uma ação paga aos acionistas em relação ao seu preço.
Já Sant'Anna pensa diferente e avalia que o pagamento de dividendos seguirá "mais descorrelacionado" de questões como a guerra ou do próprio preço do petróleo.
"Claro, a empresa tende a lucrar mais quando o ativo que ela extrai da terra vale mais no mundo todo. Mas aqui nós temos um fator político, interferências, a política da própria empresa de distribuir ou não o caixa livre, de fazer investimentos. Por enquanto a Petrobras é uma boa pagadora de dividendos, ainda longe do que pagava antes, quando nós tínhamos dividendos estrondosos, mas ainda para níveis globais é uma boa pagadora", diz o especialista.
E se o petróleo cair?
Ainda que o petróleo caia com uma grande realização de lucros se o petróleo despencar, Lima acredita que, mesmo com cessar-fogo e fim do conflito, dificilmente o petróleo volte para o patamar pré-guerra, próximo de US$ 60 por barril.
"O mercado deve exigir um prêmio geopolítico, e muitos países devem recompor suas reservas estratégicas, o que tende a segurar o preço em níveis mais elevados", pontua Lima.
Quer fazer melhores escolhas de investimentos?
O Valor One é a plataforma completa do Valor que reúne, em um só lugar, ferramentas de análise, painéis de fundos, cotações de ações, indicadores fundamentalistas, recomendações de analistas certificados, cursos e um consolidador de carteira inteligente.
Com a credibilidade de quem é referência em economia e finanças no Brasil, o Valor One oferece uma versão gratuita e planos com recursos avançados para você investir melhor.
Fonte: Valor investe