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Notícia1 set 2026

Óleo de cozinha usado pode virar combustível e reforça avanço da economia circular

Óleo de cozinha usado pode virar combustível e reforça avanço da economia circular

Foto: Thiago abandonou a CLT e hoje trabalha reciclando óleo que pode virar biodiesel (Foto: Juliano Almeida)

O óleo utilizado para preparar alimentos pode parecer apenas um resíduo depois de passar pela cozinha. Mas, quando recebe a destinação adequada, ele pode iniciar uma nova jornada e até fazer parte da cadeia de produção de biocombustíveis.

Em Mato Grosso do Sul, uma iniciativa de coleta e tratamento de óleo vegetal e gordura animal mostra, na prática, como aquilo que poderia contaminar o meio ambiente pode ser reinserido na cadeia produtiva.

A empresa Santec Reciclagem coleta o material em aproximadamente 550 pontos de cinco municípios. Somente em uma semana, cerca de 7,5 mil litros de óleo podem ser recolhidos. Depois de passar por etapas de retirada de resíduos, aquecimento e decantação, o óleo tratado é armazenado até atingir cerca de 23 toneladas e então encaminhado para uma indústria produtora de biodiesel.

Do resíduo ao biodiesel

O caminho entre o óleo usado e o combustível envolve diferentes etapas.

Depois da coleta, é necessário retirar restos de alimentos, água e outras impurezas presentes no material. Somente depois desse tratamento inicial o óleo pode seguir para unidades industriais especializadas.

Na produção do biodiesel, óleos e gorduras passam por processos químicos e posteriores etapas de purificação para que o combustível atenda aos padrões de qualidade exigidos para sua comercialização.

Ou seja:

o óleo que poderia terminar no ralo pode se transformar em matéria-prima para um combustível renovável.

É um exemplo direto de economia circular, conceito baseado no reaproveitamento de materiais para reduzir desperdícios e manter recursos em utilização pelo maior tempo possível.

Por que jogar óleo na pia é um problema?

A reciclagem não representa apenas uma nova possibilidade de utilização do material. Ela também evita uma série de impactos provocados pelo descarte inadequado.

Quando despejados em pias e ralos, óleo e gordura podem se acumular nas tubulações e provocar obstruções na rede de esgoto.

Segundo a reportagem do Campo Grande News, somente a concessionária responsável pelo saneamento de Campo Grande realiza aproximadamente 700 serviços de desobstrução por mês, sendo óleo e gordura alguns dos resíduos relacionados ao problema.

E os impactos podem ir além das tubulações.

Quando descartado diretamente no solo ou quando chega aos rios, o óleo pode:

  • contaminar o solo e atingir recursos hídricos;
  • formar uma película na superfície da água;
  • prejudicar as trocas gasosas;
  • reduzir a disponibilidade de oxigênio no ambiente aquático;
  • afetar o equilíbrio dos ecossistemas.

Por isso, a recomendação é simples: óleo usado não deve ser despejado em pias, ralos, vasos sanitários ou diretamente no solo.

Biodiesel ganha espaço na matriz de combustíveis

O reaproveitamento de resíduos também chama atenção para um movimento maior que acontece no setor energético brasileiro: o avanço dos biocombustíveis.

O biodiesel é um combustível renovável produzido a partir de óleos e gorduras e utilizado principalmente em motores do ciclo diesel.

Atualmente, o diesel comercializado no Brasil possui 15% de biodiesel em sua composição — o chamado B15. Além disso, a ANP vem atualizando regras relacionadas à utilização e ao acompanhamento desse biocombustível no mercado brasileiro.

A tendência reforça como sustentabilidade, inovação e setor de combustíveis estão cada vez mais conectados.

Sustentabilidade também faz parte do futuro dos postos

Para o mercado de combustíveis, acompanhar iniciativas como essa é importante porque o posto do futuro vai muito além do abastecimento tradicional.

Biocombustíveis, novas fontes de energia, logística reversa, gestão adequada de resíduos e práticas ESG estão ganhando espaço nas discussões sobre o futuro da mobilidade.

E isso também abre possibilidades para os postos.

Estabelecimentos com lojas de conveniência e operações de alimentação, por exemplo, podem avaliar programas de coleta e destinação adequada do óleo utilizado em suas próprias operações, além de fortalecer ações ambientais junto a clientes, colaboradores e parceiros.

Mais do que cumprir uma responsabilidade ambiental, essas iniciativas ajudam a construir uma operação mais consciente e alinhada às transformações do setor.

O que antes era descarte pode se tornar recurso

A transformação do óleo de cozinha usado em matéria-prima para biodiesel mostra que sustentabilidade também passa pela forma como enxergamos os resíduos.

Aquilo que antes terminaria no ralo pode retornar à cadeia produtiva, gerar valor e contribuir para uma matriz energética cada vez mais diversificada.

Para o revendedor, acompanhar essas mudanças significa entender que o futuro do setor não será definido apenas pelo preço do litro vendido na bomba.

Será definido também por tecnologia, eficiência, responsabilidade ambiental e capacidade de adaptação às novas formas de energia e mobilidade.

Na Posto Seguro Brasil, acompanhamos as transformações do mercado para ajudar o revendedor a entender hoje os movimentos que podem impactar o posto de amanhã.

Continue acompanhando o Blog da Posto Seguro e fique por dentro das principais mudanças do mercado de combustíveis.