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Notícia5 dez 2023

O país ganhará ou perderá por fazer parte do grupo OPEP+?

O país ganhará ou perderá por fazer parte do grupo OPEP+?

Foto: Reprodução da Posto Seguro Brasil

O Brasil tornou-se candidato a membro do grupo OPEP+, que reúne os maiores exportadores de petróleo. A medida está sendo analisada pelo governo e poderá ser implementada nos próximos meses. A OPEP tem 13 membros originais e a OPEP+, que inclui países associados. O Brasil poderá ser incluído neste grupo caso aceite o convite.

Aqui, o país participa de discussões sobre produção de petróleo e políticas de commodities. Mas a adesão divide os especialistas. Bruno Pascon, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), disse que ingressar no grupo acabaria por forçar o país a cooperar com a Opep. “O Brasil terá que participar de um cronograma de cortes de produção que resultará em preços mais elevados do petróleo e afetará os preços dos combustíveis no Brasil e em todo o mundo”, disse ele. Ele observou que a participação do Brasil nos esforços da OPEP para regular os preços das commodities seria um grande golpe, dado que o país continua a ser um importador de combustíveis. “Se o país fosse independente do petróleo, o impacto na balança comercial seria menor”, ​​disse ele. “Mas como o Brasil continua a importar 5-10% da sua gasolina e 25-30% do seu diesel para o seu mercado interno, a adesão à OPEP+ terá um impacto maior nos preços dos combustíveis, o que penso que este governo e outros deveriam evitar. vou querer", disse ele.

Ex-diretor e especialista da Petrobras, defensor dos membros da OPEP+ Ildo Sauer, ex-CEO da Petrobras (PETR4) e professor do Instituto de Engenharia Elétrica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), defende há mais de uma década a adesão do Brasil à OPEP+. Ele disse que, independentemente da participação na OPEP+, “o Brasil sofrerá com potenciais cortes de produção e aumento dos preços das commodities”, observando que, como grande exportador de petróleo, deve estar ao lado de outros países relevantes no mundo. mercado. “O Brasil precisa fazer parte da liderança em preços”, disse Sauer. Segundo ele, os países modernos são apenas “aproveitadores” dos esforços de outros países. “Os grandes produtores da OPEP podem reduzir a produção em favor de produtores menos eficientes”, disse ele. Contudo, a adesão à OPEP é determinada pelas mudanças internas no mercado petrolífero. “Para que o governo brasileiro participe das cotas de adesão, ele deve ser capaz de controlar o ritmo de produção. De acordo com a constituição, o petróleo pertence à união. disse.

Sauer observou que, para beneficiar deste excedente de vendas externas, “os exportadores de petróleo terão de prosseguir preços mais elevados”. Mas ele disse que algumas políticas precisam ser reorganizadas para beneficiar os consumidores locais. “À medida que os preços sobem, a riqueza aumentará. E isto permite utilizar outros mecanismos internos para restabelecer o equilíbrio entre os cidadãos, os consumidores, bem como os accionistas que beneficiam do petróleo”, afirmou. “Existem mecanismos de mercado e mecanismos regulatórios que permitem esta redistribuição de lucros. Sempre preferi mecanismos de mercado porque os mecanismos regulamentados permitem a discricionariedade”, disse ele.

Edmar Luiz Fagundes de Almeida, professor do Instituto de Pesquisas Econômicas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisador do instituto de pesquisas energéticas PUC-Rio, acredita que o Brasil não possui um mecanismo de cooperação com a Opep. “Para cooperar, o governo brasileiro deve ter um mecanismo de intervenção no mercado para forçar as empresas a reduzir a produção durante crises de preços”, disse ele. Mas os professores dizem que isso está longe da realidade no Brasil. “Esse mecanismo não existe atualmente e acho difícil criá-lo no contexto brasileiro”, disse.

Fonte: Money Times