O mundo está ficando sem petróleo? Goldman Sachs analisa a questão

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Os temores de que o mundo possa estar ficando sem petróleo ressurgiram à medida que o conflito em andamento no Oriente Médio interrompe os fluxos pelo Estreito de Ormuz, uma artéria crítica para o comércio global de energia. No entanto, uma nova análise do Goldman Sachs sugere que, embora as cadeias de suprimento estejam sob forte pressão, a situação é mais complexa do que uma escassez global absoluta.
De acordo com o Goldman Sachs, o impacto imediato da interrupção tem sido mais visível na Ásia, onde vários países dependem fortemente das importações do Golfo Pérsico para produtos refinados. O banco observa que muitas economias asiáticas obtêm aproximadamente metade de seus suprimentos de combustível da região, com algumas, como Coreia do Sul e Singapura, dependendo dela para quase três quartos de suas necessidades.
Apesar dessas vulnerabilidades, a escassez absoluta tem sido limitada até agora. Isso se deve em grande parte ao fato de que os países conseguiram recorrer a fornecedores alternativos, utilizar estoques existentes e reduzir as exportações para estabilizar os mercados domésticos. No entanto, o Goldman Sachs alerta que esse amortecedor pode ser temporário. No final de março, as importações líquidas de petróleo da Ásia caíram acentuadamente, indicando uma pressão crescente à medida que os embarques do Golfo diminuíram.
O relatório destaca que nem todos os combustíveis são igualmente afetados. Matérias-primas petroquímicas, como nafta e gás liquefeito de petróleo (GLP), já enfrentam escassez aguda devido a estoques mais baixos e requisitos de armazenamento mais complexos. Enquanto isso, os preços do diesel e do combustível de aviação dispararam globalmente, refletindo tanto as restrições de oferta atuais quanto o armazenamento preventivo.
O Goldman Sachs também aponta para evidências crescentes de pressão no terreno. Vários países, incluindo Índia e Tailândia, relataram racionamento de combustível ou interrupções no fornecimento, enquanto governos em partes da Ásia introduziram medidas para gerenciar o consumo.
Ainda assim, o banco não chega a chamar isso de crise estrutural de oferta. Grandes economias como China e Japão, que mantêm reservas estratégicas substanciais, estão mais bem posicionadas para enfrentar o choque. O mercado mais amplo, argumenta o Goldman Sachs, ainda tem flexibilidade por meio de fluxos comerciais redirecionados e reduções de estoque.
Em essência, o mundo não está ficando sem petróleo, pelo menos ainda não. Mas se as interrupções no Estreito de Ormuz persistirem, a escassez localizada e os picos de preços podem se intensificar, especialmente nas regiões mais dependentes de importações.
Fonte: Investing