Liberação recorde da AIE não conterá crise da oferta

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O volume de 400 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência da Agência Internacional de Energia (AIE) supera com folga os 183 milhões de barris que os países membros liberaram em 2022, depois que a Rússia invadiu a Ucrânia. Mas as potenciais perdas de oferta na crise atual também podem ser muito maiores, já que a quase paralisação do fluxo pelo estratégico Estreito de Ormuz está mantendo enormes quantidades de petróleo e combustíveis fora do mercado global.
“Os desafios enfrentados pelo mercado de petróleo não têm precedentes em escala”, disse ontem o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, em um comunicado. “Os países membros da AIE responderam com uma ação coletiva de emergência de dimensão inédita.”
A decisão foi unânime, segundo Birol, sem especificar o ritmo, a duração e a origem das liberações acordadas ontem— detalhes cruciais para os mercados de energia. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou depois que as liberações serão organizadas nos próximos dias e vários países já começaram a definir suas contribuições.
O Japão, grande importador e um dos países mais expostos a choques nos preços do petróleo, disse que liberará cerca de 80 milhões de barris. O Reino Unido contribuirá com 13,5 milhões de barris, a Alemanha com cerca de 19,5 bilhões e a França com até 14,5 milhões. A Coreia do Sul planeja liberar 22,5 milhões de barris.
Birol disse que a coisa mais importante para a estabilidade dos mercados de energia continua sendo a retomada do tráfego pelo estreito, por onde passa mais de um quinto do petróleo transportado por via marítima do mundo.
A AIE, que coordena a liberação dos estoques para os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ainda não divulgou um detalhamento dos tipos de petróleo incluídos no acordo — um detalhe importante para os operadores do mercado de energia que tentam entender melhor as implicações para os mercados de combustíveis e petróleo.
Em conversas privadas, analistas de grandes casas negociadoras de commodities e fundos hedge apresentaram diferentes estimativas para o ritmo com que os barris podem chegar ao mercado desta vez, em geral entre 2 milhões e 4 milhões de barris por dia, embora alguns estimem um número menor, de 1,2 milhão de barris por dia.
“O diabo está nos detalhes”, disse Homayoun Falakshahi, analista sênior da Kpler, antes do anúncio da AIE. “A questão principal é a rapidez com que eles liberarão isso.”
Analistas também disseram que o ritmo diário das liberações dos estoques da AIE pode ser tão importante quanto — ou até mais importante — do que o volume total. Se 100 milhões de barris forem liberados ao longo do próximo mês, por exemplo, o ritmo diário seria de cerca de 3,3 milhões de barris/dia, com o Estreito de Ormuz, entre o Irã e Omã, praticamente bloqueado.
Fonte: Economico Valor