Japão recorre a países da África para produzir biocombustível para navios

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O governo japonês planeja apoiar um grande projeto piloto em Moçambique e Gana para a produção de biocombustíveis usados no transporte marítimo, visando diversificar as fontes de energia.
A Nippon Biofuel, com sede em Tóquio, produzirá óleos a partir do pinhão-manso, uma planta que pode crescer em solos pobres e cujas sementes têm um teor de óleo elevado. No Brasil a planta também recebe os nomes jatrofa, mandubiguaçu e pinhão-de-purga.
Por não ser comestível, o pinhão-manso não exerce pressão sobre o abastecimento de alimentos como o milho e outras culturas para biocombustíveis.
Instalações de produção de combustível serão construídas nos países-alvo, e moradores locais serão contratados para lidar com todas as etapas, desde o cultivo do pinhão-manso até a produção do combustível. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão fornecerá 4 bilhões de ienes (US$ 25,2 milhões) em subsídios para promover os investimentos iniciais e apoiar o projeto até que ele se torne lucrativo.
Espera-se que o combustível seja usado em embarcações que transportam carga dentro do Japão, em navios que transportam carga da África e em embarcações comerciais baseadas em Cingapura.
Há grandes expectativas em relação ao combustível derivado do pinhão-manso, que pode solucionar diversos problemas simultaneamente.
Os navios cargueiros são essenciais para a indústria japonesa, que se baseia na importação de recursos e na exportação de mercadorias. O combustível derivado do pinhão-manso pode servir como uma alternativa estável quando o fornecimento de petróleo bruto for interrompido.
A Nippon Biofuel pretende estabelecer uma capacidade de fornecimento de cerca de 400 mil toneladas de biocombustível por ano até 2032.
O biocombustível também pode facilitar o cumprimento de regulamentações de descarbonização mais rigorosas. De acordo com uma regulamentação da União Europeia que entrou em vigor em janeiro de 2025, os navios cargueiros com arqueação bruta igual ou superior a 5 mil toneladas estão sujeitos a penalidades ao atracarem em portos da União Europeia se não cumprirem os padrões de redução de gases de efeito estufa, independentemente da bandeira sob a qual navegam.
As empresas de navegação japonesas que utilizam combustíveis que emitem altos níveis de gases de efeito estufa teriam seus lucros reduzidos pelas penalidades. Essa tendência regulatória as incentivará a migrar para o biocombustível.
O cultivo do pinhão-manso também pode representar uma fonte de renda estável para os agricultores na África, onde muitas áreas carecem de infraestrutura adequada, como sistemas de irrigação. A receita tende a variar conforme o clima.
Fonte: Economico valor