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Notícia30 jul 2026

Etanol de milho cresce no Brasil, mas investimento depende da estratégia de cada usina

Etanol de milho cresce no Brasil, mas investimento depende da estratégia de cada usina

O etanol de milho vem consolidando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira e se destaca como uma das principais transformações do setor sucroenergético. Com novos investimentos e expansão da capacidade produtiva, a expectativa é que a produção nacional ultrapasse 10 bilhões de litros na safra 2025/26, impulsionada principalmente pelas usinas instaladas no Centro-Oeste.

Apesar do cenário favorável, nem todas as usinas tradicionais de cana-de-açúcar optam por investir nessa alternativa. A decisão vai muito além da adoção de uma nova matéria-prima e envolve fatores estratégicos, logísticos e econômicos.

Mais do que produzir etanol

A implantação de uma operação de etanol de milho exige uma cadeia de suprimentos estruturada, abastecimento contínuo do grão, investimentos em armazenagem, adaptação da planta industrial e domínio de tecnologias específicas.

Além disso, é fundamental garantir mercado para coprodutos como DDGS, óleo de milho e CO₂, que desempenham papel importante na rentabilidade do negócio.

Centro-Oeste reúne as principais vantagens

O protagonismo do Centro-Oeste é explicado pela elevada oferta de milho, especialmente da segunda safra, pelos menores custos logísticos e pela infraestrutura já desenvolvida para essa cadeia produtiva.

Essa combinação proporciona maior eficiência operacional e fortalece a competitividade das usinas instaladas na região.

Cada usina possui uma realidade diferente

No Centro-Sul, onde a indústria foi estruturada historicamente em torno da cana-de-açúcar, o cenário é distinto. A logística, os fornecedores, a organização da produção e os investimentos foram desenvolvidos para atender a essa matéria-prima.

Embora algumas empresas tenham obtido bons resultados com plantas flexíveis, capazes de produzir etanol de cana e de milho, essa estratégia nem sempre representa a melhor alternativa para todas as usinas.

Questões como disponibilidade regional de milho, custos de transporte, mercado consumidor para os coprodutos, capacidade financeira e retorno esperado do investimento precisam ser avaliadas individualmente.

Estratégia é o principal diferencial

Especialistas destacam que o sucesso do etanol de milho não depende apenas da tecnologia, mas da combinação entre localização, infraestrutura, logística, mercado e planejamento estratégico.

Em muitos casos, outras alternativas — como investimentos em bioeletricidade, biometano, captura de carbono, eficiência industrial ou aumento da produtividade da cana — podem oferecer retorno mais adequado para determinadas empresas.

Competitividade exige decisões bem planejadas

A expansão do etanol de milho demonstra que não existe uma única fórmula para o crescimento do setor sucroenergético. Cada usina deve avaliar suas características, seus ativos e as oportunidades disponíveis antes de definir novos investimentos.

Mais do que acompanhar tendências, a competitividade das empresas dependerá da capacidade de identificar quais estratégias realmente agregam valor ao seu modelo de negócio e garantem sustentabilidade no longo prazo.

Fonte: JORNAL CANA