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Notícia17 jul 2026

Concorrência esquenta: chinesas avançam no mercado de R$ 400 mil a R$ 500 mil

Concorrência esquenta: chinesas avançam no mercado de R$ 400 mil a R$ 500 mil

Foto: Com BYD, Denza e GWM, marcas chinesas atingem 44% do mercado de carro premium no Brasil |Para a Abeifa, consumidor brasileiro está mais aberto a testar novos produtos (Foto: Bloomberg)(Giuliano Berti)

O mercado automotivo brasileiro vive uma transformação acelerada, especialmente no segmento premium. Em apenas 18 meses, marcas chinesas passaram de participação zero para ocupar 44% dos emplacamentos na faixa de R$ 400 mil a R$ 500 mil, segundo Marcelo Godoy, presidente da Abeifa, entidade que representa os importadores. Para ele, esse avanço revela uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro, que historicamente priorizava tradição de marca, mas agora demonstra maior disposição para testar novos produtos e tecnologias.

Modelos da BYD, sua submarca premium Denza, e veículos da GWM são alguns dos responsáveis por essa virada. A entrada rápida e consistente dessas montadoras pressiona as marcas tradicionais a serem mais assertivas em planejamento, custos e precificação. Godoy destaca que, apesar da competição mais intensa, o consumidor sai ganhando: há mais opções com tecnologia avançada, segurança e preços competitivos.

No primeiro semestre, as associadas da Abeifa registraram 111,1 mil unidades vendidas, um crescimento de 85,1% em relação ao ano anterior. Desse total, 105,9 mil são veículos eletrificados, reforçando a tendência de eletrificação no país. Mesmo com juros altos, que podem adiar decisões de compra no segmento premium, a entidade projeta que suas associadas alcancem 210 mil unidades vendidas em 2026, cerca de 52% acima de 2025.

O cenário geral também é de expansão. Anfavea e Fenabrave revisaram suas projeções e agora estimam cerca de 3 milhões de emplacamentos no ano — número que não era alcançado desde 2014. Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, o descolamento entre produção nacional e vendas é reflexo direto do aumento das importações, especialmente das montadoras chinesas, que têm acelerado sua entrada no país.

Godoy avalia que esse movimento mostra o potencial do mercado brasileiro para atingir 4 ou até 5 milhões de unidades vendidas anualmente no futuro, especialmente se a Selic e o endividamento das famílias recuarem. Mesmo com o avanço da BYD no mercado geral, ele afirma que o Brasil volta a se destacar como um dos mercados automotivos mais relevantes do mundo, atraindo investimentos e atenção das montadoras globais.

Fonte: Bloomberg Línea