Carros elétricos entram na mira de criminosos no Brasil: crescimento da frota aumenta preocupação com segurança

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A expansão dos veículos elétricos e híbridos no Brasil vem transformando o mercado automotivo, mas também traz um novo desafio: o aumento dos casos de roubos e furtos desses veículos e de suas estruturas de recarga.
Embora os eletrificados ainda representem uma parcela pequena da frota nacional, o alto valor de seus componentes tem despertado o interesse de organizações criminosas, especialmente das baterias de alta tensão, módulos eletrônicos e cabos de carregadores.
Roubos acompanham o crescimento da frota
Dados divulgados pela Ituran Brasil mostram que, entre janeiro e maio de 2026, o Estado de São Paulo registrou 107 ocorrências envolvendo veículos elétricos e híbridos, contra 53 no mesmo período de 2025, representando um crescimento de 101%.
No mesmo intervalo, a frota de veículos eletrificados cresceu cerca de 72%, passando de aproximadamente 446 mil para 766 mil unidades em circulação, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
A maior parte das ocorrências é de furtos, concentrados principalmente na capital paulista.
O que atrai os criminosos?
O principal alvo das quadrilhas são os componentes de maior valor agregado.
As baterias de tração, por exemplo, podem representar entre 30% e 50% do valor total do veículo, sendo produzidas com materiais como lítio, níquel, manganês, cobalto e cobre.
Além das baterias, módulos eletrônicos e sistemas embarcados também possuem elevado valor comercial, tornando o desmanche ilegal uma atividade lucrativa.
Apesar disso, especialistas destacam que retirar apenas a bateria não é uma operação simples. Por fazer parte da estrutura do veículo e pesar centenas de quilos, normalmente o objetivo dos criminosos é levar o automóvel inteiro para posterior desmontagem.
Cabos de carregadores também são alvo
Outro problema crescente envolve os carregadores públicos.
Os cabos utilizados nesses equipamentos contêm grande quantidade de cobre, material bastante valorizado no mercado de reciclagem. Em poucos minutos, criminosos conseguem inutilizar uma estação de recarga, causando prejuízos para operadores e usuários da infraestrutura.
Casos de furtos já foram registrados até mesmo em empreendimentos que ainda não haviam sido entregues aos moradores, demonstrando que o problema vai além das vias públicas.
Tecnologia como aliada da segurança
Diante desse cenário, fabricantes, seguradoras e empresas do setor têm investido em soluções para aumentar a proteção dos veículos e da infraestrutura de recarga.
Entre as medidas adotadas estão sistemas de rastreamento, monitoramento remoto, certificação de componentes e novas tecnologias para reduzir a vulnerabilidade dos carregadores públicos.
Além disso, cresce a preocupação com o comércio irregular de peças e baterias de origem desconhecida, reforçando a importância da rastreabilidade e da fiscalização.
Mercado em evolução
O crescimento da eletrificação da frota brasileira representa um avanço importante para a mobilidade sustentável, mas também exige novos desafios relacionados à segurança patrimonial.
À medida que os veículos elétricos se tornam mais presentes nas ruas, fabricantes, operadores de infraestrutura, seguradoras e órgãos públicos precisarão atuar de forma conjunta para combater esse novo tipo de crime e garantir maior segurança para consumidores e investidores do setor.
Fonte: R7